Você não precisa gostar do PT, nem de político nenhum. Esta página não pede voto em partido. Ela mostra o que já foi feito e proposto por Flávio Bolsonaro e pelo grupo dele, e o que isso tira da sua vida.
Segundo o ICL Notícias, o grupo de Flávio Bolsonaro trabalha para esvaziar as sessões do Senado e impedir até a discussão da PEC que acaba com a escala 6x1.
fonte: ICL Notícias, 06/10/2026O domingo com seus filhos. O tempo para estudar, descansar, viver.
Flávio Bolsonaro propõe tirar as universidades federais do MEC e direcionar bolsas para longe de áreas que, nas palavras dele, "não vão agregar em absolutamente nada ao nosso País".
fonte: O Liberal, 22/09/2026A bolsa que permite estudar sem largar o curso para trabalhar. E o governo decidindo o que seu filho pode estudar.
715.295 brasileiros morreram de covid. A CPI da Covid pediu o indiciamento de Jair Bolsonaro por nove crimes e de Flávio Bolsonaro por incitação ao crime.
fonte: Poder360 / Ministério da Saúde; relatório da CPI (26/10/2021)Gente que tinha nome, cadeira na mesa do almoço e planos para o ano seguinte.
Esta página tem lado: o seu. Não pede voto em partido nenhum. Mas não pedimos que você acredite em nós. Cada fato traz data, veículo e link. Cada análise diz de quem é. Alegação sem prova aparece marcada como tal.
O que foi dito ou proposto, com data e veículo. Não interpretamos.
Uma consequência possível. Sempre dizemos quem faz a projeção.
Dado ou fonte ainda em checagem. Fica marcado até ser confirmado.
brasileiros mortos pela covid-19
fonte: Poder360, com dados do Ministério da Saúde (11/03/2025)"Eu não sou coveiro"
Bolsonaro, ao ser perguntado sobre os 2.584 mortos registrados até então.
fonte: Poder36070 milhões de doses ignoradas
A Pfizer ofereceu 30 ou 70 milhões de doses em agosto de 2020. Segundo o gerente da empresa, Carlos Murillo, à CPI, o governo não respondeu; o contrato só saiu em março de 2021.
fonte: Jornal Opção9 crimes. E o filho Flávio também.
O relatório final da CPI da Covid pediu o indiciamento de Jair Bolsonaro por nove crimes, entre eles crimes contra a humanidade, e do senador Flávio Bolsonaro por incitação ao crime.
fonte: Jornal OpçãoCada número desta tela tinha nome, família e endereço.
Não foi acaso. Foram escolhas.
Segundo a reportagem, a oposição trabalha para esvaziar as sessões do Senado de 6 a 8 de outubro e impedir o quórum para debater a PEC que acaba com a escala de seis dias de trabalho por um de folga.
ler a matéria completa ↗Dados do Ministério da Saúde: 715.295 mortes e 39,2 milhões de casos confirmados desde março de 2020.
ler a matéria completa ↗O ex-agente John Kiriakou afirma ter ouvido de um ex-colega que a CIA estaria apoiando Bolsonaro nos bastidores. Ele não apresentou provas e disse que "não sabe" se a versão é verdadeira.
ler a matéria completa ↗A alegação do ex-agente da CIA, acima, não tem provas. Mas a vigilância e a influência americana sobre o Brasil não são teoria: estão em documentos.
Telegramas diplomáticos vazados mostram Michel Temer, então presidente do PMDB, relatando à embaixada e ao consulado dos EUA, entre janeiro e junho de 2006, o cenário da eleição presidencial daquele ano.
fonte: Brasil de Fato, 13/05/2016, com base em telegramas do WikiLeaks ↗O "Projeto Pontes", bancado pelo Departamento de Justiça dos EUA, reuniu no Rio juízes e procuradores dos 26 estados e do DF, além de mais de 50 policiais federais. O telegrama registra que muitos manifestaram interesse em ser treinados pelos americanos. O então juiz Sergio Moro estava entre os palestrantes.
fonte: Outras Palavras, sobre o telegrama vazado pelo WikiLeaks ↗O WikiLeaks divulgou a lista de 29 telefones do governo brasileiro espionados pela Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA): o gabinete da presidente Dilma Rousseff, sua assistente pessoal, ministros e até o telefone via satélite do avião presidencial.
fonte: Agência Pública, 07/2015 ↗O governo de Donald Trump já agiu, mais de uma vez, a favor da família Bolsonaro e contra instituições brasileiras. Veja o que está documentado, quanto isso já custou ao trabalhador, e o que aconteceu com outros países quando os EUA escolheram um lado.
“Foi muito bom receber Flávio Bolsonaro no Salão Oval da Casa Branca — um jovem inteligente que ama muito seu país, o Brasil!”Donald Trump, na Truth Social, 02/06/2026. No mesmo dia, o governo dele propôs mais 25% de tarifa contra o Brasil.Foto publicada por Donald Trump (Salão Oval, 26/05/2026). Domínio público, via Wikimedia Commons.
Trump anuncia tarifa de 50% sobre produtos brasileiros e, na carta a Lula, liga a medida ao julgamento de Jair Bolsonaro: "uma caça às bruxas que deve terminar IMEDIATAMENTE!". Não é uma disputa comercial comum: é punição a um país inteiro por causa de um réu.
O governo dos EUA abre investigação comercial (Seção 301) contra o Brasil, mirando o Pix, que é gratuito e concorre com as empresas de pagamento americanas, além de decisões contra big techs. Em junho de 2026, propôs mais 25% de tarifa.
Os EUA aplicam a Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, relator do processo contra Jair Bolsonaro, bloqueando bens e transações. Segundo o Washington Post, o deputado Eduardo Bolsonaro trabalhou nos bastidores em Washington para incluir Moraes na lista.
Trump recebe Flávio e Eduardo Bolsonaro na Casa Branca. Em 2 de junho, publica a foto na Truth Social: "Foi muito bom receber Flávio Bolsonaro no Salão Oval da Casa Branca — um jovem inteligente que ama muito seu país, o Brasil!". No mesmo dia, o governo dele propõe nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
O jornal britânico The Guardian revela o programa "Countering Lawfare and Censorship in Brazil": cerca de R$ 5 milhões, de um fundo de US$ 175 milhões do Departamento de Estado, para grupos que se opõem ao STF. A Polícia Federal abriu investigação sobre interferência dos EUA na eleição.
Perguntado se apoiaria Flávio Bolsonaro, Trump não citou o candidato: "Estamos acompanhando tudo isso e acompanhando essa eleição muito de perto". Ele não declarou apoio formal.
Os EUA demonstraram interesse nos minerais críticos brasileiros (lítio, nióbio, terras raras), essenciais para baterias, chips e armas. E o plano de Flávio promete "atrair o capital estrangeiro" para esses minerais (p. 55) e reverter o afastamento dos Estados Unidos (p. 62).
Estimativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) para as vagas perdidas com o tarifaço.
Mesmo com 700 exceções: carne, café, calçados, frutas, máquinas. Cerca de 10 mil empresas com 3,2 milhões de trabalhadores.
O setor calçadista, que emprega muito no interior do RS, SP, MG e CE, teve sua maior onda de demissões em dez anos.
O Pix gratuito é alvo de uma investigação americana. Se ele enfraquecer, voltam as tarifas de transferência dos bancos e das empresas de cartão.
Em todos os casos, o interesse era de fora: frutas, cobre, alinhamento político, dinheiro. Hoje são os minerais críticos e o mercado de pagamentos. E em todos os casos quem pagou foi o povo do país, nunca quem decidiu em Washington.
O Brasil decide o Brasil. No voto.
Cada promessa abaixo é citação literal do plano de governo oficial de Flávio Bolsonaro, com o número da página. Ao lado, o que essa ideia já causou quando foi tentada, aqui ou fora, com fonte.
“Para o jovem, vamos criar um contrato de trabalho para os 18 a 24 anos em busca do primeiro emprego, com menor custo na folha.”
Traduzindo: "Menor custo na folha" quer dizer menos encargos pagos pela empresa, e boa parte desses encargos são direitos do próprio trabalhador.
O governo Jair Bolsonaro já tentou isso. A MP 905/2019, a "Carteira Verde e Amarela", criou um contrato para jovens de 18 a 29 anos com FGTS reduzido de 8% para 2% e multa por demissão cortada de 40% para 20%. A MP perdeu a validade em 2020 sem ser aprovada pelo Senado.
“Por isso defendemos o negociado sobre o legislado, ou seja, permitir que trabalhador e empresa combinem diretamente as condições de trabalho [...]. O país precisa se posicionar contra a República Sindical.”
Traduzindo: Na prática, o acordo direto com o patrão passa a valer mais que a lei. E quem negocia sozinho, sem sindicato, negocia em desvantagem. O plano ainda critica a "discussão de jornada", justamente o debate do fim da escala 6x1.
A reforma trabalhista de 2017 seguiu a mesma lógica e foi vendida com a promessa de 6 milhões de empregos em dez anos. O desemprego, que era de 12,9% em 2017, chegou a 14,9% em março de 2021, e a maior parte das vagas criadas foi informal. Hoje, segundo o ICL Notícias, o grupo de Flávio trabalha para impedir a votação do fim da 6x1 no Senado.
“No ensino superior, vamos transferir a governança para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações [...]. A CAPES e o CNPq passarão a priorizar o impacto produtivo, a inovação e a transferência de tecnologia.”
Traduzindo: O governo passa a escolher quais áreas merecem bolsa. Humanas, ciência básica e licenciaturas, os cursos que formam professores, ficam fora da prioridade.
A rede pública tem 2.064.834 universitários (INEP, 2024), e as licenciaturas públicas somam cerca de 560 mil estudantes. O país já tem falta de professor: 1 em cada 3 professores da rede pública não tem formação na disciplina que ensina. Detalhes completos no dossiê abaixo.
“E onde faltar vaga na rede pública, a família receberá um voucher educacional para matricular o filho em outra escola, porque a prioridade é a criança aprender, não a defesa de um sistema que falhou com ela.”
Traduzindo: Dinheiro público que iria para abrir vaga na escola pública passa a pagar mensalidade em escola privada.
O Chile adotou vouchers em 1988, com a promessa de que a concorrência melhoraria as escolas. Décadas de estudos mostram o contrário: as escolas passaram a selecionar alunos, a separação entre ricos e pobres aumentou e, segundo a OCDE (2019), o Chile tem um dos sistemas com menor integração social e acadêmica.
“O novo governo do Brasil vai apoiar e sancionar a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. Vamos punir também maiores de 14 anos que cometerem crimes graves.”
Traduzindo: Adolescentes de 16 anos, e em alguns casos de 14, iriam para o mesmo sistema prisional dos adultos.
Menos de 1% dos crimes e 0,5% dos homicídios são cometidos por adolescentes, e as apreensões caíram mais de 35% entre 2019 e 2024 (UNICEF). No sistema socioeducativo, 2 em cada 10 voltam a ser apreendidos; nas prisões de adultos, 4 em cada 10 (CNJ). O próprio plano admite, na página 15, que "4 em cada 10 presos [...] voltam a cometer crimes". Mandar adolescente para a cadeia é mandá-lo para a escola do crime.
“Bandido armado com fuzil na mão vai ser abatido pelas forças de segurança. [...] Traficante que resistir e enfrentar o Estado vai ser preso ou vai virar pó.”
Traduzindo: Licença política para a polícia matar mais, numa conta que já é recorde.
Em 2025, 6.602 pessoas morreram em ações policiais no Brasil, alta de 5,4% sobre 2024. Das vítimas, 82% eram negras, e uma pessoa negra teve 3,5 vezes mais risco de ser morta pela polícia que uma branca (Anuário Brasileiro de Segurança Pública).
“O Brasil terá 5 novos presídios de segurança máxima no modelo adotado por El Salvador. [...] Para tirar o medo do cidadão e botar medo no bandido, ele vai se chamar TREVA.”
Traduzindo: Importar o regime de exceção de Nayib Bukele, em que prender vem antes de provar.
Desde 2022, o regime de exceção de El Salvador prendeu dezenas de milhares de pessoas, a maioria ainda sem julgamento. A ONG Cristosal documentou 261 mortes sob custódia, além de quatro bebês, muitas com sinais de tortura. Nenhum dos mortos havia sido condenado.
“Se não decidir nem se manifestar dentro desse prazo, a licença deve ser concedida, porque a demora do Estado não pode ser um castigo para quem fez a sua parte.”
Traduzindo: Se o órgão ambiental, muitas vezes sem técnicos suficientes, não analisar a tempo, a mina, a barragem ou a obra é aprovada sem ninguém olhar.
Em Brumadinho, a licença da mina foi acelerada e a classificação de risco rebaixada em reunião. Segundo laudo da Polícia Federal, a barragem não deveria ter recebido o atestado de estabilidade. Ela rompeu em janeiro de 2019 e matou 272 pessoas. A associação das famílias das vítimas diz que flexibilizar o licenciamento abre caminho para novas Brumadinhos.
“Será conferida autonomia aos povos indígenas e quilombolas para decidir sobre atividades produtivas em suas terras, com respeito ao desenvolvimento sustentável e às regras ambientais.”
Traduzindo: Soa como liberdade, mas repete a lógica do PL 191/2020, com que o governo Bolsonaro tentou abrir as terras indígenas à mineração e ao garimpo.
O PL 191/2020, assinado por Jair Bolsonaro, autorizava mineração, garimpo, petróleo, hidrelétricas e gado em terras indígenas, sem poder de veto real dos povos. No início de 2023, com cerca de 20 mil garimpeiros ilegais no território, a crise Yanomami levou à declaração de emergência em saúde pública: 217 indígenas morreram entre janeiro e junho de 2023, por desnutrição, malária e infecções.
“Fim das competências criminais originárias do STF, permitindo que parlamentares sejam julgados por instâncias inferiores [...]. Limitação das decisões monocráticas do STF.”
Traduzindo: Acabar com o foro privilegiado tem defensores de vários lados, e é um debate legítimo. Mas a proposta vem junto com outras para limitar o tribunal, logo depois de ele ter julgado a família do candidato.
Em 11 de setembro de 2025, a Primeira Turma do STF condenou Jair Bolsonaro, por 4 votos a 1, a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, organização criminosa armada e outros três crimes, ao lado de militares e ex-ministros. A pergunta que o eleitor deve fazer: quem ganha com um Supremo mais fraco?
“O resultado foi a Farra do INSS: a explosão de descontos indevidos que triplicou os valores roubados de idosos, pensionistas e beneficiários de programas sociais em 2023 e 2024.”
Traduzindo: O plano culpa só o governo atual e não menciona quando o esquema começou.
Os descontos de fato explodiram em 2023 e 2024, e isso precisa ser punido. Mas a investigação da PF e da CGU (Operação Sem Desconto) apura fraudes entre 2019 e 2024: o volume descontado saiu de R$ 617 milhões em 2019, primeiro ano do governo Jair Bolsonaro, para R$ 2,8 bilhões em 2024. Ao todo, até R$ 6,3 bilhões, e 97% dos aposentados ouvidos disseram nunca ter autorizado.
“Vamos ainda ampliar o acesso a exames preventivos e manter a imunização e o incentivo à produção nacional de vacinas. [...] Mesmo diante da maior pandemia em cem anos, fizemos a dívida cair.”
Traduzindo: O plano se orgulha de ter cortado a dívida durante a pandemia, e promete vacinas.
Em agosto de 2020, a Pfizer ofereceu 30 ou 70 milhões de doses, e o governo Jair Bolsonaro não respondeu; o contrato só saiu em março de 2021. O Brasil teve 715.295 mortes por covid. A CPI da Covid pediu o indiciamento de Jair Bolsonaro por nove crimes, e do próprio Flávio por incitação ao crime.
O efeito de cada proposta dentro de casa, para quem ganha pouco e para a classe média.
Para cada promessa do plano, dois retratos lado a lado. Os perfis são ilustrativos; as contas usam regras e valores reais, com as premissas escritas embaixo de cada uma. Salário de referência: R$ 1.518 (salário mínimo de 2025).
Com o FGTS a 2%, o depósito mensal cai de R$ 121,44 para R$ 30,36. Se for demitido depois de dois anos, sai com um quinto do que sairia hoje para se manter enquanto procura outro emprego.
O FGTS é a poupança que muita família usa para dar entrada no primeiro apartamento. Com depósito de 2%, ela cresce quatro vezes mais devagar justamente nos anos em que o jovem começa a juntar dinheiro.
Trabalhando 6x1, ela tem cerca de 52 dias de folga semanal por ano; numa escala 5x2 seriam cerca de 104. Sem sindicato forte, "negociar" a jornada com o patrão significa aceitar o que for oferecido, e o grupo de Flávio trabalha para impedir até a votação do fim da 6x1.
Quanto mais o acordo vale acima da lei, mais fácil trocar hora extra paga por banco de horas, reduzir intervalo e fatiar férias. A hora extra que vinha no contracheque vira "folga um dia".
A bolsa de iniciação científica é o que permite estudar em vez de trabalhar oito horas por dia. Se a área deixar de ser prioridade da CAPES e do CNPq, ela some, e para muitos a faculdade também.
Sem bolsa, o mestrado de dois anos vira um custo que a família precisa bancar, ou o sonho acaba. Áreas fora do "impacto produtivo" são as primeiras a perder bolsas.
Transferir a gestão das universidades federais do Ministério da Educação (MEC) para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O MEC ficaria apenas com a educação básica. CAPES e CNPq, as agências que pagam bolsas de pesquisa, seriam reorientadas para "impacto produtivo, inovação e transferência de tecnologia".
fonte: Portal Tela, 17/08/2026Defendeu que bolsas públicas sejam direcionadas a tecnologia, inovação e inteligência artificial, e não a áreas que, nas palavras dele, "não vão agregar em absolutamente nada ao nosso País". Também falou em metas de desempenho para as universidades e revisão de currículos.
fonte: O Liberal, 22/09/2026ℹ A proposta documentada muda quem administra as universidades e para onde vão bolsas e verba de pesquisa. Ela não prevê fechar universidades públicas nem acabar com o ensino gratuito.
Hoje as universidades federais respondem ao MEC, e as bolsas da CAPES e do CNPq atendem todas as áreas do conhecimento. Pela proposta, o governo federal passa a escolher quais áreas recebem bolsa e verba de pesquisa, priorizando o que considera "tecnológico" ou "produtivo". Cursos e pesquisas fora desse eixo (humanas, ciências sociais, artes, parte da ciência básica e as licenciaturas que formam professores) podem perder financiamento. A universidade continua aberta, mas encolhe nas áreas que deixarem de ser prioridade.
Quem quer ser professor faz licenciatura, e as licenciaturas estão justamente nas áreas que podem deixar de ser prioridade. E o Brasil já tem falta: 1 em cada 3 professores da rede pública não tem formação na disciplina que ensina, e nos anos finais do ensino fundamental só 59% têm. Menos verba nesses cursos hoje pode significar ainda menos professores formados para a escola do seu filho.
Pesquisas sobre saúde pública, clima, educação e sociedade raramente dão "retorno produtivo" imediato, mas afetam a vida de todo mundo. Com o critério de impacto produtivo, essas pesquisas tendem a receber menos recursos.
Do outro lado, um estudante de tecnologia, engenharia ou inteligência artificial poderia ter mais bolsas e uma ligação mais direta com empresas e empregos que pagam melhor. A campanha diz que quer colocar o dinheiro onde há empregabilidade.
A universidade pública não é só sala de aula. A rede federal mantém 45 hospitais universitários em 25 estados, com 9.035 leitos e mais de 8 milhões de atendimentos de média e alta complexidade pelo SUS, geridos pela Ebserh, empresa vinculada ao MEC. Se as universidades saírem do MEC, o que acontece com esses hospitais? As reportagens sobre a proposta não respondem, e é uma pergunta que todo eleitor que usa o SUS deveria fazer.
Aproximar a universidade da indústria, formar mais gente para os setores que contratam e cortar o que consideram desperdício de dinheiro público. O ministério e as agências passariam a cobrar metas de desempenho.
Entidades docentes como o ANDES-SN e a SEDUFSM, além de pesquisadores, alertam para o esvaziamento de humanas, da ciência básica e da formação de professores. Também criticam a ideia de o governo decidir o que é "conhecimento útil". O presidente do ANDES-SN, Claudio Mendonça, compara a proposta ao Future-se, programa do governo Bolsonaro que fracassou, e vê ameaça à autonomia das universidades.
Recebe um voucher, mas as escolas privadas boas escolhem os alunos ou cobram por fora: material, uniforme, "taxas". No Chile, por anos, escolas com voucher puderam cobrar um valor extra das famílias, o que só foi proibido em 2015. Quem não pode pagar fica com a escola que sobrou.
Cada voucher é dinheiro público que deixa de abrir vaga e de melhorar a escola pública. A escola do bairro perde verba e alunos, e piora para quem fica. No Chile, o resultado foi um dos sistemas mais segregados da OCDE.
Se o filho errar, ele vai para um presídio de adultos, os mesmos que o próprio plano admite (p. 14) serem controlados por facções. Lá, a chance de voltar ao crime é o dobro da do sistema socioeducativo.
Adolescentes cometem 0,5% dos homicídios, e as apreensões já caíram 35% entre 2019 e 2024. Reduzir a maioridade não deixa sua rua mais segura; devolve à rua, anos depois, alguém formado na cadeia.
Operação é tiroteio na porta, escola fechada, ônibus que não passa, trabalho perdido. E risco de ser a vítima: das 6.602 pessoas mortas pela polícia em 2025, 82% eram negras.
Na letalidade policial, a cor pesa mais que a renda: pessoas negras têm 3,5 vezes mais risco de morrer em ação policial do que brancas. A promessa de "abater" não pergunta o CEP antes de atirar.
No modelo de El Salvador, prende-se primeiro e prova-se depois: dezenas de milhares de presos, a maioria sem julgamento. Lá, as prisões em massa deixaram mais de 62 mil crianças menores de 15 anos sem pai ou sem mãe em casa.
O plano promete meio milhão de novas vagas em presídios em 4 anos (p. 14) e cinco presídios de segurança máxima. É dinheiro de imposto indo para cadeia, enquanto o mesmo plano não mostra de onde virá o recurso.
Com licença concedida por falta de resposta do órgão, a barragem pode funcionar sem que nenhum técnico tenha olhado. Em Mariana (2015) foram 19 mortos; em Brumadinho (2019), 272.
A lama não escolhe classe: em Brumadinho morreram trabalhadores da mina, moradores e até hóspedes de uma pousada. Uma licença mal analisada põe em risco qualquer família que esteja no caminho.
Garimpo é rio envenenado, peixe contaminado, malária e fome. Na Terra Yanomami, com cerca de 20 mil garimpeiros, 217 indígenas morreram só no primeiro semestre de 2023.
O mercúrio do garimpo chega ao prato da cidade: 21,3% dos peixes vendidos em 17 cidades da Amazônia estavam acima do limite da OMS. Em Roraima, 40%.
O cidadão comum nunca teve foro privilegiado: é julgado na primeira instância desde sempre. As mudanças propostas mexem nas regras para quem tem poder, e chegam logo depois de o STF condenar o pai do candidato.
Um tribunal que pode condenar um ex-presidente por golpe é a garantia de que ninguém está acima da lei, nem quem você não gosta, nem quem você apoia. Enfraquecê-lo agora protege quem?
Um desconto de "associação" que ela nunca autorizou come parte do benefício todo mês. Na investigação, 97% dos aposentados ouvidos disseram nunca ter autorizado.
Quando o benefício dos pais encolhe, quem completa é a família. A fraude começou em 2019 e cresceu até 2024. Um plano que conta só metade dessa história merece desconfiança.
Quem pega ônibus lotado e trabalha presencialmente foi quem mais se expôs enquanto a vacina não chegava. As doses da Pfizer oferecidas em 2020 previam 1,5 milhão de doses ainda em dezembro daquele ano.
715.295 mortes. O governo que não respondeu às ofertas de vacina é o mesmo que o plano chama de exemplo, e o candidato teve o indiciamento pedido pela CPI, por incitação ao crime.
Uma democracia divide o poder em três — para que um segure a mão do outro. Esse freio é o que impede qualquer governo de fazer o que quiser com a sua vida. É por isso que concentrar os três é o risco de fundo por trás de tudo o que você leu até aqui.
Propõe e executa: ministérios, polícia, orçamento. Manda no dia a dia.
Faz as leis, controla o dinheiro público e pode investigar e barrar abusos.
Julga, defende a Constituição e pode anular um ato ilegal do governo.
Imagine, no trabalho, se a mesma pessoa fosse o seu patrão, o RH que ouve a sua reclamação e o juiz que decide a briga. Você reclamaria com quem? Não teria para onde apelar.
Um país em que um só grupo controla os três poderes é exatamente isso: é como um jogo em que o mesmo time joga, apita e ainda é dono do placar.
Se um único projeto de poder dominar o Executivo, tiver maioria no Congresso e indicar quem julga na Justiça, não sobra quem barre. Leis que tiram direitos passam sem freio. Abusos não são investigados. E a sua reclamação não chega a lugar nenhum. A eleição pode até continuar existindo no papel — só que esvaziada.
Esquerda ou direita, o perigo é o mesmo: quando um grupo controla os três poderes, quem perde é sempre quem vive do próprio trabalho. Porque somem justamente as instituições que seguram a mão de quem está no poder — e é nelas que você se apoia quando mexem no seu FGTS, na sua aposentadoria ou no seu direito de reclamar.
O seu voto é um desses freios. Talvez o último.
É uma dúvida justa, e esta página não pede que você goste de ninguém. O outro lado também tem defeitos, e você tem todo o direito de criticá-los.
FGTS menor para o jovem no primeiro emprego. Adolescente de 14 anos em presídio de adulto. Licença ambiental aprovada sem ninguém olhar. Dinheiro da escola pública virando voucher. Não é boato nem interpretação: está no plano de governo dele, com número de página, e a conta chega na sua casa.
Seu voto é a única ferramenta que trava esse plano. Ler o que ele escreveu, fazer a conta e aparecer no dia é o que decide — o resto é torcida. Quem trabalha contra o seu descanso, o FGTS dos seus filhos e a memória dos 715 mil mortos conta com a sua ausência.
Eles contam com o seu cansaço, com o seu "tanto faz" e com o seu silêncio. A resposta não é violência nem desistir: é a urna. Vote contra quem já mostrou que vota contra você.
Leva dois minutos no app e-Título ou no site do TSE. Não deixe para o dia.
tse.jus.br ↗A mãe, o colega de trabalho, o vizinho que disse que não vai votar. Uma conversa com fonte na mão vale mais que mil posts.
Mande o fato com o link. Quem espalha mentira conta com a sua pressa. Quem tem fonte não precisa gritar.
Não por um partido. Por você, pelos seus filhos e pelos 715 mil que não podem mais votar.