memória_e_alerta
eleicoes_2026 // memoria_e_alerta

$ não é sobre partido. é sobre você.

// 00 — antes de tudo


Você não precisa gostar do PT, nem de político nenhum. Esta página não pede voto em partido. Ela mostra o que já foi feito e proposto por Flávio Bolsonaro e pelo grupo dele, e o que isso tira da sua vida.

Seu trabalho

Você trabalha seis dias para descansar um?

Segundo o ICL Notícias, o grupo de Flávio Bolsonaro trabalha para esvaziar as sessões do Senado e impedir até a discussão da PEC que acaba com a escala 6x1.

fonte: ICL Notícias, 06/10/2026
O que isso tira de você

O domingo com seus filhos. O tempo para estudar, descansar, viver.

Seus filhos

Seu filho sonha com uma faculdade pública?

Flávio Bolsonaro propõe tirar as universidades federais do MEC e direcionar bolsas para longe de áreas que, nas palavras dele, "não vão agregar em absolutamente nada ao nosso País".

fonte: O Liberal, 22/09/2026
O que isso tira de você

A bolsa que permite estudar sem largar o curso para trabalhar. E o governo decidindo o que seu filho pode estudar.

Sua família

Você perdeu alguém na pandemia?

715.295 brasileiros morreram de covid. A CPI da Covid pediu o indiciamento de Jair Bolsonaro por nove crimes e de Flávio Bolsonaro por incitação ao crime.

fonte: Poder360 / Ministério da Saúde; relatório da CPI (26/10/2021)
O que isso tira de você

Gente que tinha nome, cadeira na mesa do almoço e planos para o ano seguinte.

// 01 — protocolo

Como ler esta página

Esta página tem lado: o seu. Não pede voto em partido nenhum. Mas não pedimos que você acredite em nós. Cada fato traz data, veículo e link. Cada análise diz de quem é. Alegação sem prova aparece marcada como tal.

0x01
[ FATO ]

O que foi dito ou proposto, com data e veículo. Não interpretamos.

0x02
[ PROJEÇÃO ]

Uma consequência possível. Sempre dizemos quem faz a projeção.

0x03
[ A COMPLETAR ]

Dado ou fonte ainda em checagem. Fica marcado até ser confirmado.

12
propostas do plano conferidas
03
matérias da imprensa
02
fatos sobre as propostas
07
fontes no dossiê
// memória

brasileiros mortos pela covid-19

fonte: Poder360, com dados do Ministério da Saúde (11/03/2025)
24/03/2020
"Gripezinha"

Jair Bolsonaro, em pronunciamento nacional, sobre a covid-19.

fonte: Poder360
20/04/2020
"Eu não sou coveiro"

Bolsonaro, ao ser perguntado sobre os 2.584 mortos registrados até então.

fonte: Poder360
ago. 2020
70 milhões de doses ignoradas

A Pfizer ofereceu 30 ou 70 milhões de doses em agosto de 2020. Segundo o gerente da empresa, Carlos Murillo, à CPI, o governo não respondeu; o contrato só saiu em março de 2021.

fonte: Jornal Opção
26/10/2021
9 crimes. E o filho Flávio também.

O relatório final da CPI da Covid pediu o indiciamento de Jair Bolsonaro por nove crimes, entre eles crimes contra a humanidade, e do senador Flávio Bolsonaro por incitação ao crime.

fonte: Jornal Opção

Cada número desta tela tinha nome, família e endereço.
Não foi acaso. Foram escolhas.

Fotos: Raphael Alves/Amazônia Real, sepultamento de vítimas da covid no Cemitério Nossa Senhora Aparecida, Manaus, 01/03/2021. CC BY 2.0, via Wikimedia Commons
// 02 — na imprensa

O que está nas notícias

ICL Notícias06/10/2026

Grupo de Flávio Bolsonaro quer impedir discussão do fim da escala 6x1

Segundo a reportagem, a oposição trabalha para esvaziar as sessões do Senado de 6 a 8 de outubro e impedir o quórum para debater a PEC que acaba com a escala de seis dias de trabalho por um de folga.

ler a matéria completa ↗
Poder36011/03/2025

5 anos após decreto de pandemia, Brasil tem 715 mil mortes por covid

Dados do Ministério da Saúde: 715.295 mortes e 39,2 milhões de casos confirmados desde março de 2020.

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ICL Notícias06/10/2026
⚠ Alegação sem provas

Ex-agente diz que CIA planta histórias pró-Bolsonaro para influenciar eleição

O ex-agente John Kiriakou afirma ter ouvido de um ex-colega que a CIA estaria apoiando Bolsonaro nos bastidores. Ele não apresentou provas e disse que "não sabe" se a versão é verdadeira.

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VAZADO

Arquivo WikiLeaks: os EUA de olho no Brasil

A alegação do ex-agente da CIA, acima, não tem provas. Mas a vigilância e a influência americana sobre o Brasil não são teoria: estão em documentos.

2006TELEGRAMAS DA EMBAIXADA DOS EUA

Um político brasileiro informando Washington

Telegramas diplomáticos vazados mostram Michel Temer, então presidente do PMDB, relatando à embaixada e ao consulado dos EUA, entre janeiro e junho de 2006, o cenário da eleição presidencial daquele ano.

fonte: Brasil de Fato, 13/05/2016, com base em telegramas do WikiLeaks ↗
2009TELEGRAMA 09BRASILIA1282

Juízes e procuradores treinados pelos EUA

O "Projeto Pontes", bancado pelo Departamento de Justiça dos EUA, reuniu no Rio juízes e procuradores dos 26 estados e do DF, além de mais de 50 policiais federais. O telegrama registra que muitos manifestaram interesse em ser treinados pelos americanos. O então juiz Sergio Moro estava entre os palestrantes.

fonte: Outras Palavras, sobre o telegrama vazado pelo WikiLeaks ↗
2015LISTA DE ALVOS DA NSA

A presidente da República grampeada

O WikiLeaks divulgou a lista de 29 telefones do governo brasileiro espionados pela Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA): o gabinete da presidente Dilma Rousseff, sua assistente pessoal, ministros e até o telefone via satélite do avião presidencial.

fonte: Agência Pública, 07/2015 ↗
// 03 — o fator Trump


O governo de Donald Trump já agiu, mais de uma vez, a favor da família Bolsonaro e contra instituições brasileiras. Veja o que está documentado, quanto isso já custou ao trabalhador, e o que aconteceu com outros países quando os EUA escolheram um lado.

para ser justoTrump recebeu Flávio na Casa Branca e o elogiou publicamente, mas não declarou apoio formal à candidatura. E esta página não diz que vai haver golpe. O que ela mostra são fatos e um padrão histórico.
“Foi muito bom receber Flávio Bolsonaro no Salão Oval da Casa Branca — um jovem inteligente que ama muito seu país, o Brasil!”
Donald Trump, na Truth Social, 02/06/2026. No mesmo dia, o governo dele propôs mais 25% de tarifa contra o Brasil.Foto publicada por Donald Trump (Salão Oval, 26/05/2026). Domínio público, via Wikimedia Commons.

01 O que já aconteceu

  1. 09/07/2025

    Tarifa de 50%, por causa de Bolsonaro

    Trump anuncia tarifa de 50% sobre produtos brasileiros e, na carta a Lula, liga a medida ao julgamento de Jair Bolsonaro: "uma caça às bruxas que deve terminar IMEDIATAMENTE!". Não é uma disputa comercial comum: é punição a um país inteiro por causa de um réu.

  2. 15/07/2025

    Investigação contra o Pix

    O governo dos EUA abre investigação comercial (Seção 301) contra o Brasil, mirando o Pix, que é gratuito e concorre com as empresas de pagamento americanas, além de decisões contra big techs. Em junho de 2026, propôs mais 25% de tarifa.

  3. 30/07/2025

    Sanção a um juiz brasileiro, a pedido de um Bolsonaro

    Os EUA aplicam a Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, relator do processo contra Jair Bolsonaro, bloqueando bens e transações. Segundo o Washington Post, o deputado Eduardo Bolsonaro trabalhou nos bastidores em Washington para incluir Moraes na lista.

    fonte: Aos Fatos
  4. 26/05/2026

    Flávio no Salão Oval

    Trump recebe Flávio e Eduardo Bolsonaro na Casa Branca. Em 2 de junho, publica a foto na Truth Social: "Foi muito bom receber Flávio Bolsonaro no Salão Oval da Casa Branca — um jovem inteligente que ama muito seu país, o Brasil!". No mesmo dia, o governo dele propõe nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.

  5. out. 2026

    Dinheiro americano contra o STF

    O jornal britânico The Guardian revela o programa "Countering Lawfare and Censorship in Brazil": cerca de R$ 5 milhões, de um fundo de US$ 175 milhões do Departamento de Estado, para grupos que se opõem ao STF. A Polícia Federal abriu investigação sobre interferência dos EUA na eleição.

  6. 02/10/2026

    "Acompanhando muito de perto"

    Perguntado se apoiaria Flávio Bolsonaro, Trump não citou o candidato: "Estamos acompanhando tudo isso e acompanhando essa eleição muito de perto". Ele não declarou apoio formal.

o que está em jogo para eles

Os EUA demonstraram interesse nos minerais críticos brasileiros (lítio, nióbio, terras raras), essenciais para baterias, chips e armas. E o plano de Flávio promete "atrair o capital estrangeiro" para esses minerais (p. 55) e reverter o afastamento dos Estados Unidos (p. 62).

02 Quem já está pagando a conta

110 mil
empregos em risco

Estimativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) para as vagas perdidas com o tarifaço.

fonte: BP Money
35,9%
das exportações aos EUA atingidas

Mesmo com 700 exceções: carne, café, calçados, frutas, máquinas. Cerca de 10 mil empresas com 3,2 milhões de trabalhadores.

fonte: BP Money
10 anos
a maior demissão nos calçados em uma década

O setor calçadista, que emprega muito no interior do RS, SP, MG e CE, teve sua maior onda de demissões em dez anos.

R$ 0
é o que o Pix custa para você

O Pix gratuito é alvo de uma investigação americana. Se ele enfraquecer, voltam as tarifas de transferência dos bancos e das empresas de cartão.

fonte: InvestNews

03 Como ficaram os países onde os EUA escolheram um lado

Guatemala1954
200 mil
mortos e desaparecidos
O que os EUA fizeram
A CIA armou, financiou e treinou uma força de 480 homens para derrubar o presidente eleito Jacobo Árbenz (Operação PBSuccess).
O interesse por trás
Árbenz fez reforma agrária em terras paradas da United Fruit Company, empresa americana com ligações diretas com a cúpula do governo Eisenhower.
Como o país ficou
36 anos de guerra civil. A comissão da verdade patrocinada pela ONU estimou 200 mil mortos e desaparecidos, 83% deles indígenas maias, e registrou apoio direto e indireto dos EUA a operações do Estado.
Brasil1964
21 anos
de ditadura
O que os EUA fizeram
Na Operação Brother Sam, os EUA prepararam porta-aviões, destróieres, caças e toneladas de armas para apoiar o golpe contra João Goulart. O embaixador Lincoln Gordon pediu a entrega clandestina de armas aos golpistas.
O interesse por trás
Manter o Brasil alinhado aos EUA na Guerra Fria e conter as reformas de base de Goulart.
Como o país ficou
21 anos de ditadura, censura, tortura e Congresso fechado. A Comissão Nacional da Verdade confirmou 434 mortos e desaparecidos; pesquisas mais recentes falam em mais de 10 mil, contando indígenas e camponeses.
Chile1973
3 mil+
mortos e desaparecidos
O que os EUA fizeram
Documentos desclassificados mostram que Nixon mandou a CIA "fazer a economia gritar" e tentar impedir a posse de Salvador Allende. Os EUA sabiam do golpe de Pinochet com antecedência.
O interesse por trás
Allende nacionalizou o cobre, explorado por empresas americanas, e Washington temia o "exemplo" para a América Latina.
Como o país ficou
17 anos de ditadura de Pinochet. Mais de 3 mil mortos e desaparecidos, e a Comissão Valech reconheceu 27.255 presos políticos, a maioria torturados.
Argentina2025
US$ 20 bi
condicionados à eleição
O que os EUA fizeram
Às vésperas da eleição legislativa, o governo Trump fechou uma linha de US$ 20 bilhões com o Banco Central argentino, e Trump avisou que a ajuda dependeria de um bom resultado do aliado Javier Milei.
O interesse por trás
Garantir um governo alinhado, e lucro: depois da vitória, Trump disse que os EUA "ganharam muito dinheiro".
Como o país ficou
Milei venceu, e Trump declarou que ele "teve muita ajuda dos EUA". Não houve golpe, e sim algo mais moderno: a ajuda econômica condicionada ao voto.
o padrão

Em todos os casos, o interesse era de fora: frutas, cobre, alinhamento político, dinheiro. Hoje são os minerais críticos e o mercado de pagamentos. E em todos os casos quem pagou foi o povo do país, nunca quem decidiu em Washington.

O Brasil decide o Brasil. No voto.

// 04 — o plano dele, página por página


Cada promessa abaixo é citação literal do plano de governo oficial de Flávio Bolsonaro, com o número da página. Ao lado, o que essa ideia já causou quando foi tentada, aqui ou fora, com fonte.

Para o Brasil vencer o atraso – Diretrizes do Plano de Governo 2027-2030
PL · 76 páginas · documento entregue pela campanha
PÁG. 43-44Trabalho

O "primeiro emprego" mais barato

O que ele promete
“Para o jovem, vamos criar um contrato de trabalho para os 18 a 24 anos em busca do primeiro emprego, com menor custo na folha.”

Traduzindo: "Menor custo na folha" quer dizer menos encargos pagos pela empresa, e boa parte desses encargos são direitos do próprio trabalhador.

O que a realidade mostra
8% → 2%
FGTS na Carteira Verde e Amarela (2019)

O governo Jair Bolsonaro já tentou isso. A MP 905/2019, a "Carteira Verde e Amarela", criou um contrato para jovens de 18 a 29 anos com FGTS reduzido de 8% para 2% e multa por demissão cortada de 40% para 20%. A MP perdeu a validade em 2020 sem ser aprovada pelo Senado.

Quem paga a contaO jovem que começa a vida já com menos FGTS e mais fácil de demitir.
ver o efeito na sua casa ↓
PÁG. 44-45Trabalho

Negociado sobre o legislado, e contra o debate da jornada

O que ele promete
“Por isso defendemos o negociado sobre o legislado, ou seja, permitir que trabalhador e empresa combinem diretamente as condições de trabalho [...]. O país precisa se posicionar contra a República Sindical.”

Traduzindo: Na prática, o acordo direto com o patrão passa a valer mais que a lei. E quem negocia sozinho, sem sindicato, negocia em desvantagem. O plano ainda critica a "discussão de jornada", justamente o debate do fim da escala 6x1.

O que a realidade mostra
14,9%
desemprego em mar/2021, anos depois da reforma de 2017

A reforma trabalhista de 2017 seguiu a mesma lógica e foi vendida com a promessa de 6 milhões de empregos em dez anos. O desemprego, que era de 12,9% em 2017, chegou a 14,9% em março de 2021, e a maior parte das vagas criadas foi informal. Hoje, segundo o ICL Notícias, o grupo de Flávio trabalha para impedir a votação do fim da 6x1 no Senado.

Quem paga a contaQuem trabalha seis dias para folgar um, e quem não tem sindicato forte do lado.
ver o efeito na sua casa ↓
PÁG. 36Educação

Universidades fora do MEC

O que ele promete
“No ensino superior, vamos transferir a governança para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações [...]. A CAPES e o CNPq passarão a priorizar o impacto produtivo, a inovação e a transferência de tecnologia.”

Traduzindo: O governo passa a escolher quais áreas merecem bolsa. Humanas, ciência básica e licenciaturas, os cursos que formam professores, ficam fora da prioridade.

O que a realidade mostra
≈ 560 mil
futuros professores em licenciaturas públicas

A rede pública tem 2.064.834 universitários (INEP, 2024), e as licenciaturas públicas somam cerca de 560 mil estudantes. O país já tem falta de professor: 1 em cada 3 professores da rede pública não tem formação na disciplina que ensina. Detalhes completos no dossiê abaixo.

Quem paga a contaO filho do trabalhador que depende de bolsa para estudar, e a escola que fica sem professor.
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PÁG. 21 e 36Educação

Voucher no lugar de vaga pública

O que ele promete
“E onde faltar vaga na rede pública, a família receberá um voucher educacional para matricular o filho em outra escola, porque a prioridade é a criança aprender, não a defesa de um sistema que falhou com ela.”

Traduzindo: Dinheiro público que iria para abrir vaga na escola pública passa a pagar mensalidade em escola privada.

O que a realidade mostra
desde 1988
Chile usa vouchers em larga escala

O Chile adotou vouchers em 1988, com a promessa de que a concorrência melhoraria as escolas. Décadas de estudos mostram o contrário: as escolas passaram a selecionar alunos, a separação entre ricos e pobres aumentou e, segundo a OCDE (2019), o Chile tem um dos sistemas com menor integração social e acadêmica.

Quem paga a contaA criança pobre, que fica com a escola que sobrou depois que as melhores escolheram os alunos.
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PÁG. 13 e 15Segurança

Prender adolescente de 14 anos

O que ele promete
“O novo governo do Brasil vai apoiar e sancionar a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. Vamos punir também maiores de 14 anos que cometerem crimes graves.”

Traduzindo: Adolescentes de 16 anos, e em alguns casos de 14, iriam para o mesmo sistema prisional dos adultos.

O que a realidade mostra
0,5%
dos homicídios no Brasil são cometidos por adolescentes

Menos de 1% dos crimes e 0,5% dos homicídios são cometidos por adolescentes, e as apreensões caíram mais de 35% entre 2019 e 2024 (UNICEF). No sistema socioeducativo, 2 em cada 10 voltam a ser apreendidos; nas prisões de adultos, 4 em cada 10 (CNJ). O próprio plano admite, na página 15, que "4 em cada 10 presos [...] voltam a cometer crimes". Mandar adolescente para a cadeia é mandá-lo para a escola do crime.

Quem paga a contaO adolescente da periferia, e o bairro que recebe ele de volta pior do que entrou.
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PÁG. 13 e 15Segurança

"Vai ser abatido", "vai virar pó"

O que ele promete
“Bandido armado com fuzil na mão vai ser abatido pelas forças de segurança. [...] Traficante que resistir e enfrentar o Estado vai ser preso ou vai virar pó.”

Traduzindo: Licença política para a polícia matar mais, numa conta que já é recorde.

O que a realidade mostra
6.602
mortos pela polícia em 2025, recorde

Em 2025, 6.602 pessoas morreram em ações policiais no Brasil, alta de 5,4% sobre 2024. Das vítimas, 82% eram negras, e uma pessoa negra teve 3,5 vezes mais risco de ser morta pela polícia que uma branca (Anuário Brasileiro de Segurança Pública).

Quem paga a contaO jovem negro da periferia, que morre primeiro e é investigado depois.
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PÁG. 14Segurança

Presídios "modelo El Salvador" chamados TREVA

O que ele promete
“O Brasil terá 5 novos presídios de segurança máxima no modelo adotado por El Salvador. [...] Para tirar o medo do cidadão e botar medo no bandido, ele vai se chamar TREVA.”

Traduzindo: Importar o regime de exceção de Nayib Bukele, em que prender vem antes de provar.

O que a realidade mostra
261
pessoas mortas sob custódia em El Salvador, além de 4 bebês

Desde 2022, o regime de exceção de El Salvador prendeu dezenas de milhares de pessoas, a maioria ainda sem julgamento. A ONG Cristosal documentou 261 mortes sob custódia, além de quatro bebês, muitas com sinais de tortura. Nenhum dos mortos havia sido condenado.

Quem paga a contaQualquer pessoa pobre confundida com bandido, sem direito de provar o contrário.
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PÁG. 50Meio ambiente e povos indígenas

Licença ambiental "automática"

O que ele promete
“Se não decidir nem se manifestar dentro desse prazo, a licença deve ser concedida, porque a demora do Estado não pode ser um castigo para quem fez a sua parte.”

Traduzindo: Se o órgão ambiental, muitas vezes sem técnicos suficientes, não analisar a tempo, a mina, a barragem ou a obra é aprovada sem ninguém olhar.

O que a realidade mostra
272
mortos em Brumadinho (2019)

Em Brumadinho, a licença da mina foi acelerada e a classificação de risco rebaixada em reunião. Segundo laudo da Polícia Federal, a barragem não deveria ter recebido o atestado de estabilidade. Ela rompeu em janeiro de 2019 e matou 272 pessoas. A associação das famílias das vítimas diz que flexibilizar o licenciamento abre caminho para novas Brumadinhos.

Quem paga a contaQuem mora rio abaixo da barragem.
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PÁG. 50Meio ambiente e povos indígenas

"Autonomia" para explorar terras indígenas

O que ele promete
“Será conferida autonomia aos povos indígenas e quilombolas para decidir sobre atividades produtivas em suas terras, com respeito ao desenvolvimento sustentável e às regras ambientais.”

Traduzindo: Soa como liberdade, mas repete a lógica do PL 191/2020, com que o governo Bolsonaro tentou abrir as terras indígenas à mineração e ao garimpo.

O que a realidade mostra
≈ 20 mil
garimpeiros ilegais na Terra Yanomami

O PL 191/2020, assinado por Jair Bolsonaro, autorizava mineração, garimpo, petróleo, hidrelétricas e gado em terras indígenas, sem poder de veto real dos povos. No início de 2023, com cerca de 20 mil garimpeiros ilegais no território, a crise Yanomami levou à declaração de emergência em saúde pública: 217 indígenas morreram entre janeiro e junho de 2023, por desnutrição, malária e infecções.

Quem paga a contaOs povos indígenas, e quem bebe a água dos rios contaminados por mercúrio.
ver o efeito na sua casa ↓
PÁG. 65Democracia

Reduzir o poder do STF, depois da condenação do pai

O que ele promete
“Fim das competências criminais originárias do STF, permitindo que parlamentares sejam julgados por instâncias inferiores [...]. Limitação das decisões monocráticas do STF.”

Traduzindo: Acabar com o foro privilegiado tem defensores de vários lados, e é um debate legítimo. Mas a proposta vem junto com outras para limitar o tribunal, logo depois de ele ter julgado a família do candidato.

O que a realidade mostra
27 anos
e 3 meses: pena de Jair Bolsonaro por golpe de Estado

Em 11 de setembro de 2025, a Primeira Turma do STF condenou Jair Bolsonaro, por 4 votos a 1, a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, organização criminosa armada e outros três crimes, ao lado de militares e ex-ministros. A pergunta que o eleitor deve fazer: quem ganha com um Supremo mais fraco?

Quem paga a contaA democracia, e quem precisa que a lei valha também para os poderosos.
ver o efeito na sua casa ↓
PÁG. 72Aposentados

A "Farra do INSS" contada pela metade

O que ele promete
“O resultado foi a Farra do INSS: a explosão de descontos indevidos que triplicou os valores roubados de idosos, pensionistas e beneficiários de programas sociais em 2023 e 2024.”

Traduzindo: O plano culpa só o governo atual e não menciona quando o esquema começou.

O que a realidade mostra
2019
ano em que começam os descontos investigados

Os descontos de fato explodiram em 2023 e 2024, e isso precisa ser punido. Mas a investigação da PF e da CGU (Operação Sem Desconto) apura fraudes entre 2019 e 2024: o volume descontado saiu de R$ 617 milhões em 2019, primeiro ano do governo Jair Bolsonaro, para R$ 2,8 bilhões em 2024. Ao todo, até R$ 6,3 bilhões, e 97% dos aposentados ouvidos disseram nunca ter autorizado.

Quem paga a contaO aposentado, nos dois governos. Quem conta só metade da história não está do lado dele.
ver o efeito na sua casa ↓
fonte: InfoMoney · O Povo
PÁG. 9 e 37Saúde

Vacina no papel, 715 mil mortos na vida real

O que ele promete
“Vamos ainda ampliar o acesso a exames preventivos e manter a imunização e o incentivo à produção nacional de vacinas. [...] Mesmo diante da maior pandemia em cem anos, fizemos a dívida cair.”

Traduzindo: O plano se orgulha de ter cortado a dívida durante a pandemia, e promete vacinas.

O que a realidade mostra
70 milhões
de doses da Pfizer sem resposta em 2020

Em agosto de 2020, a Pfizer ofereceu 30 ou 70 milhões de doses, e o governo Jair Bolsonaro não respondeu; o contrato só saiu em março de 2021. O Brasil teve 715.295 mortes por covid. A CPI da Covid pediu o indiciamento de Jair Bolsonaro por nove crimes, e do próprio Flávio por incitação ao crime.

Quem paga a contaAs 715 mil famílias que enterraram alguém.
ver o efeito na sua casa ↓
// 05 — dossiê

As propostas de Flávio Bolsonaro, tema por tema

O efeito de cada proposta dentro de casa, para quem ganha pouco e para a classe média.

na sua casa

O que cada proposta muda na vida de quem ganha pouco, e de quem é classe média

Para cada promessa do plano, dois retratos lado a lado. Os perfis são ilustrativos; as contas usam regras e valores reais, com as premissas escritas embaixo de cada uma. Salário de referência: R$ 1.518 (salário mínimo de 2025).

Trabalho

01/12
O "primeiro emprego" mais barato
↑ ver a promessa (pág. 43-44)
Família de baixa renda
Jovem de 19 anos, primeiro emprego com 1 salário mínimo

Com o FGTS a 2%, o depósito mensal cai de R$ 121,44 para R$ 30,36. Se for demitido depois de dois anos, sai com um quinto do que sairia hoje para se manter enquanto procura outro emprego.

a conta
FGTS em 24 meses, regra atual (8%)R$ 2.914,56
FGTS em 24 meses, regra de 2019 (2%)R$ 728,64
Multa na demissão: 40% → 20%R$ 1.165,82 → R$ 145,73
Perde na demissãoR$ 3.206,01
Classe média
Recém-formado de 23 anos, primeiro emprego de R$ 2.500

O FGTS é a poupança que muita família usa para dar entrada no primeiro apartamento. Com depósito de 2%, ela cresce quatro vezes mais devagar justamente nos anos em que o jovem começa a juntar dinheiro.

a conta
FGTS em 24 meses, 8%R$ 4.800,00
FGTS em 24 meses, 2%R$ 1.200,00
Multa na demissão: 40% → 20%R$ 1.920,00 → R$ 240,00
Perde na demissãoR$ 5.280,00
premissas O plano não detalha quais encargos cairiam. Usamos como referência a regra da Carteira Verde e Amarela (MP 905/2019), que o governo Bolsonaro já tentou aplicar: FGTS de 2% e multa de 20%. Sem 13º, férias e correção.
02/12
Negociado sobre o legislado, e contra o debate da jornada
↑ ver a promessa (pág. 44-45)
Família de baixa renda
Operadora de caixa de supermercado, escala 6x1, 1,2 salário mínimo

Trabalhando 6x1, ela tem cerca de 52 dias de folga semanal por ano; numa escala 5x2 seriam cerca de 104. Sem sindicato forte, "negociar" a jornada com o patrão significa aceitar o que for oferecido, e o grupo de Flávio trabalha para impedir até a votação do fim da 6x1.

a conta
Folgas semanais por ano na 6x1≈ 52 dias
Folgas semanais por ano na 5x2≈ 104 dias
Domingos e sábados que deixa de ter com a família≈ 52 dias/ano
Classe média
Analista CLT, salário de R$ 4.000, faz 10 horas extras por mês

Quanto mais o acordo vale acima da lei, mais fácil trocar hora extra paga por banco de horas, reduzir intervalo e fatiar férias. A hora extra que vinha no contracheque vira "folga um dia".

a conta
Valor da hora (R$ 4.000 ÷ 220 h)R$ 18,18
Hora extra com 50% de adicionalR$ 27,27
10 horas extras por mêsR$ 272,73
Que pode deixar de entrar no salárioR$ 3.272,73/ano
premissas Desde 2017 já é possível compensar horas em banco de horas por acordo individual. O "negociado sobre o legislado" defendido no plano (p. 44) amplia o que pode ser trocado por acordo. Cenário ilustrativo.

Educação

03/12
Universidades fora do MEC
↑ ver a promessa (pág. 36)
Família de baixa renda
Estudante de licenciatura em universidade federal, primeira da família a entrar na faculdade

A bolsa de iniciação científica é o que permite estudar em vez de trabalhar oito horas por dia. Se a área deixar de ser prioridade da CAPES e do CNPq, ela some, e para muitos a faculdade também.

a conta
Bolsa de iniciação científicaR$ 700/mês
Em um anoR$ 8.400
Renda que some da casa por anoR$ 8.400
Classe média
Formado em biologia ou história, aprovado no mestrado

Sem bolsa, o mestrado de dois anos vira um custo que a família precisa bancar, ou o sonho acaba. Áreas fora do "impacto produtivo" são as primeiras a perder bolsas.

a conta
Bolsa de mestradoR$ 2.100/mês
Duração do mestrado24 meses
O que a família teria de cobrirR$ 50.400
premissas Valores das bolsas CAPES/CNPq vigentes desde março de 2023. O plano (p. 36) não detalha o tamanho dos cortes por área. · fonte: IstoÉ Dinheiro, reajuste das bolsas (2023)
aprofundar: tudo o que se sabe sobre esta proposta
O que ele disse, e quando
  1. 13/08/2026

    Transferir a gestão das universidades federais do Ministério da Educação (MEC) para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O MEC ficaria apenas com a educação básica. CAPES e CNPq, as agências que pagam bolsas de pesquisa, seriam reorientadas para "impacto produtivo, inovação e transferência de tecnologia".

    fonte: Portal Tela, 17/08/2026
  2. 22/09/2026 · São Luís (MA)

    Defendeu que bolsas públicas sejam direcionadas a tecnologia, inovação e inteligência artificial, e não a áreas que, nas palavras dele, "não vão agregar em absolutamente nada ao nosso País". Também falou em metas de desempenho para as universidades e revisão de currículos.

    fonte: O Liberal, 22/09/2026

ℹ A proposta documentada muda quem administra as universidades e para onde vão bolsas e verba de pesquisa. Ela não prevê fechar universidades públicas nem acabar com o ensino gratuito.

Como funcionaria

Hoje as universidades federais respondem ao MEC, e as bolsas da CAPES e do CNPq atendem todas as áreas do conhecimento. Pela proposta, o governo federal passa a escolher quais áreas recebem bolsa e verba de pesquisa, priorizando o que considera "tecnológico" ou "produtivo". Cursos e pesquisas fora desse eixo (humanas, ciências sociais, artes, parte da ciência básica e as licenciaturas que formam professores) podem perder financiamento. A universidade continua aberta, mas encolhe nas áreas que deixarem de ser prioridade.

01Hoje: universidades federais respondem ao MEC
02Proposta: gestão passa para o MCTI
03CAPES e CNPq reorientadas para "impacto produtivo"
▲ Prioridade declarada pela campanha
  • Tecnologia
  • Inovação
  • Inteligência artificial
▼ Podem perder financiamento
  • Humanas e ciências sociais
  • Artes
  • Parte da ciência básica
  • Licenciaturas (formação de professores)
Outros efeitos na vida real
projeção

Quem quer ser professor faz licenciatura, e as licenciaturas estão justamente nas áreas que podem deixar de ser prioridade. E o Brasil já tem falta: 1 em cada 3 professores da rede pública não tem formação na disciplina que ensina, e nos anos finais do ensino fundamental só 59% têm. Menos verba nesses cursos hoje pode significar ainda menos professores formados para a escola do seu filho.

quem projeta → Especialistas em formação docente. A professora Leandra Bôer Possa (UFSM) alerta que formação de professores e pesquisa em educação podem ser tratadas como "secundário, pouco relevante" sob a lógica de mercado. Projeção de médio prazo. · fonte: Anuário Brasileiro da Educação Básica 2024, com dados do Censo Escolar/INEP (via Gazeta do Povo); SEDUFSM, 29/09/2026
projeção

Pesquisas sobre saúde pública, clima, educação e sociedade raramente dão "retorno produtivo" imediato, mas afetam a vida de todo mundo. Com o critério de impacto produtivo, essas pesquisas tendem a receber menos recursos.

quem projeta → Pesquisadores. Para Everton Picolotto (SEDUFSM), as ciências humanas "contribuem de forma muito significativa" para o conhecimento, inclusive para entender desigualdade e pobreza. Ainda não está definido como o "impacto produtivo" seria medido. · fonte: SEDUFSM, 29/09/2026
projeção dos defensores

Do outro lado, um estudante de tecnologia, engenharia ou inteligência artificial poderia ter mais bolsas e uma ligação mais direta com empresas e empregos que pagam melhor. A campanha diz que quer colocar o dinheiro onde há empregabilidade.

quem projeta → A campanha e os defensores da proposta. · fonte: O Liberal, 22/09/2026; Portal Tela, 17/08/2026
projeção

A universidade pública não é só sala de aula. A rede federal mantém 45 hospitais universitários em 25 estados, com 9.035 leitos e mais de 8 milhões de atendimentos de média e alta complexidade pelo SUS, geridos pela Ebserh, empresa vinculada ao MEC. Se as universidades saírem do MEC, o que acontece com esses hospitais? As reportagens sobre a proposta não respondem, e é uma pergunta que todo eleitor que usa o SUS deveria fazer.

quem projeta → Pergunta levantada por esta página, a partir dos dados da Ebserh e das reportagens sobre a proposta. · fonte: Agência Brasil, set. 2025 (dados da Ebserh)
O argumento deles, e a resposta
O QUE ELES DIZEM

Aproximar a universidade da indústria, formar mais gente para os setores que contratam e cortar o que consideram desperdício de dinheiro público. O ministério e as agências passariam a cobrar metas de desempenho.

A RESPOSTA

Entidades docentes como o ANDES-SN e a SEDUFSM, além de pesquisadores, alertam para o esvaziamento de humanas, da ciência básica e da formação de professores. Também criticam a ideia de o governo decidir o que é "conhecimento útil". O presidente do ANDES-SN, Claudio Mendonça, compara a proposta ao Future-se, programa do governo Bolsonaro que fracassou, e vê ameaça à autonomia das universidades.

Fontes
  • Plano de Governo de Flávio Bolsonaro, "Para o Brasil vencer o atraso" (p. 36) · documento oficial da campanha · viés: fonte primária (o próprio candidato) · usada para: transferência das universidades ao MCTI e prioridade de CAPES/CNPq
  • Portal Tela (17/08/2026) · imprensa regional · viés: a classificar · usada para: proposta MEC → MCTI e reorientação de CAPES/CNPq
  • O Liberal (22/09/2026) · imprensa regional (PA) · viés: a classificar · usada para: fala em São Luís sobre bolsas, metas e currículos
  • INEP — Censo da Educação Superior 2024 (Notas Estatísticas) · dado oficial · viés: neutro (órgão estatístico) · usada para: matrículas na rede pública e nas licenciaturas
  • Agência Brasil, com dados da Ebserh (set. 2025) · agência pública de notícias · viés: oficial (governo federal) · usada para: número de hospitais universitários federais, leitos e atendimentos
  • SEDUFSM (sindicato dos docentes da UFSM) (29/09/2026) · entidade sindical docente · viés: crítico à proposta · usada para: falas de Everton Picolotto, Leandra Bôer Possa e Claudio Mendonça (ANDES-SN)
  • Anuário Brasileiro da Educação Básica 2024 (Todos Pela Educação), via Gazeta do Povo · anuário com dados oficiais do INEP · viés: dado oficial · usada para: professores sem formação na disciplina que ensinam
04/12
Voucher no lugar de vaga pública
↑ ver a promessa (pág. 21 e 36)
Família de baixa renda
Mãe que não conseguiu vaga na escola pública perto de casa

Recebe um voucher, mas as escolas privadas boas escolhem os alunos ou cobram por fora: material, uniforme, "taxas". No Chile, por anos, escolas com voucher puderam cobrar um valor extra das famílias, o que só foi proibido em 2015. Quem não pode pagar fica com a escola que sobrou.

Classe média
Família que usa ou pretende usar a escola pública do bairro

Cada voucher é dinheiro público que deixa de abrir vaga e de melhorar a escola pública. A escola do bairro perde verba e alunos, e piora para quem fica. No Chile, o resultado foi um dos sistemas mais segregados da OCDE.

premissas O plano oferece voucher "onde faltar vaga na rede pública" (p. 36) e voucher-creche (p. 21), sem dizer como evitar seleção e cobrança extra.

Segurança

05/12
Prender adolescente de 14 anos
↑ ver a promessa (pág. 13 e 15)
Família de baixa renda
Mãe na periferia, com filho de 16 anos

Se o filho errar, ele vai para um presídio de adultos, os mesmos que o próprio plano admite (p. 14) serem controlados por facções. Lá, a chance de voltar ao crime é o dobro da do sistema socioeducativo.

a conta
Voltam a ser apreendidos (socioeducativo)2 em 10
Voltam ao crime (prisão de adultos)4 em 10
Risco de reincidênciao dobro
Classe média
Família que quer mais segurança na rua de casa

Adolescentes cometem 0,5% dos homicídios, e as apreensões já caíram 35% entre 2019 e 2024. Reduzir a maioridade não deixa sua rua mais segura; devolve à rua, anos depois, alguém formado na cadeia.

premissas Dados do UNICEF (com base no Anuário Brasileiro de Segurança Pública) e do CNJ (2019).
06/12
"Vai ser abatido", "vai virar pó"
↑ ver a promessa (pág. 13 e 15)
Família de baixa renda
Morador de comunidade com operações policiais frequentes

Operação é tiroteio na porta, escola fechada, ônibus que não passa, trabalho perdido. E risco de ser a vítima: das 6.602 pessoas mortas pela polícia em 2025, 82% eram negras.

a conta
Mortos pela polícia em 20256.602
Vítimas negras82%
Mortos por dia, em média≈ 18
Classe média
Pai ou mãe de um jovem negro de classe média

Na letalidade policial, a cor pesa mais que a renda: pessoas negras têm 3,5 vezes mais risco de morrer em ação policial do que brancas. A promessa de "abater" não pergunta o CEP antes de atirar.

premissas Anuário Brasileiro de Segurança Pública. A média diária é a divisão do total anual por 365.
07/12
Presídios "modelo El Salvador" chamados TREVA
↑ ver a promessa (pág. 14)
Família de baixa renda
Trabalhador da periferia parado numa blitz

No modelo de El Salvador, prende-se primeiro e prova-se depois: dezenas de milhares de presos, a maioria sem julgamento. Lá, as prisões em massa deixaram mais de 62 mil crianças menores de 15 anos sem pai ou sem mãe em casa.

a conta
Presos no regime de exceção (até 2023)≈ 68 mil
Mortos sob custódia261 + 4 bebês
Mortos que tinham sido condenadosnenhum
Classe média
Contribuinte

O plano promete meio milhão de novas vagas em presídios em 4 anos (p. 14) e cinco presídios de segurança máxima. É dinheiro de imposto indo para cadeia, enquanto o mesmo plano não mostra de onde virá o recurso.

premissas Dados da ONG Cristosal sobre El Salvador. Metas de vagas: plano de governo, p. 14.

Meio ambiente e povos indígenas

08/12
Licença ambiental "automática"
↑ ver a promessa (pág. 50)
Família de baixa renda
Família que mora rio abaixo de uma barragem de mineração

Com licença concedida por falta de resposta do órgão, a barragem pode funcionar sem que nenhum técnico tenha olhado. Em Mariana (2015) foram 19 mortos; em Brumadinho (2019), 272.

a conta
Mariana (2015)19 mortos
Brumadinho (2019)272 mortos
Em menos de 4 anos291 vidas
Classe média
Trabalhador da mina, morador da região, turista de fim de semana

A lama não escolhe classe: em Brumadinho morreram trabalhadores da mina, moradores e até hóspedes de uma pousada. Uma licença mal analisada põe em risco qualquer família que esteja no caminho.

premissas Proposta de licença por decurso de prazo: plano de governo, p. 50.
09/12
"Autonomia" para explorar terras indígenas
↑ ver a promessa (pág. 50)
Família de baixa renda
Família indígena ou ribeirinha na Amazônia

Garimpo é rio envenenado, peixe contaminado, malária e fome. Na Terra Yanomami, com cerca de 20 mil garimpeiros, 217 indígenas morreram só no primeiro semestre de 2023.

Classe média
Família que compra peixe na feira em Manaus, Boa Vista ou Rio Branco

O mercúrio do garimpo chega ao prato da cidade: 21,3% dos peixes vendidos em 17 cidades da Amazônia estavam acima do limite da OMS. Em Roraima, 40%.

a conta
Peixes acima do limite (média, 6 estados)21,3%
Em Roraima40%
Peixes contaminados≈ 1 em cada 5
premissas Estudo Fiocruz e parceiros (1.010 peixes analisados, 2021-2022). · fonte: Jornal de Brasília, sobre o estudo da Fiocruz

Democracia

10/12
Reduzir o poder do STF, depois da condenação do pai
↑ ver a promessa (pág. 65)
Família de baixa renda
Quem não tem advogado caro

O cidadão comum nunca teve foro privilegiado: é julgado na primeira instância desde sempre. As mudanças propostas mexem nas regras para quem tem poder, e chegam logo depois de o STF condenar o pai do candidato.

Para todos
Qualquer eleitor

Um tribunal que pode condenar um ex-presidente por golpe é a garantia de que ninguém está acima da lei, nem quem você não gosta, nem quem você apoia. Enfraquecê-lo agora protege quem?

premissas Esta proposta não muda o bolso diretamente: o efeito é sobre quem a lei alcança.

Aposentados

11/12
A "Farra do INSS" contada pela metade
↑ ver a promessa (pág. 72)
Família de baixa renda
Aposentada que recebe 1 salário mínimo

Um desconto de "associação" que ela nunca autorizou come parte do benefício todo mês. Na investigação, 97% dos aposentados ouvidos disseram nunca ter autorizado.

a conta
Desconto ilustrativoR$ 45/mês
Em um anoR$ 540
Do salário mínimo≈ 36%
Classe média
Filho ou filha que ajuda os pais aposentados

Quando o benefício dos pais encolhe, quem completa é a família. A fraude começou em 2019 e cresceu até 2024. Um plano que conta só metade dessa história merece desconfiança.

premissas Valor do desconto ilustrativo. Período e volume da fraude: PF/CGU, Operação Sem Desconto.

Saúde

12/12
Vacina no papel, 715 mil mortos na vida real
↑ ver a promessa (pág. 9 e 37)
Família de baixa renda
Trabalhador que não pôde fazer home office

Quem pega ônibus lotado e trabalha presencialmente foi quem mais se expôs enquanto a vacina não chegava. As doses da Pfizer oferecidas em 2020 previam 1,5 milhão de doses ainda em dezembro daquele ano.

Para todos
Qualquer família brasileira

715.295 mortes. O governo que não respondeu às ofertas de vacina é o mesmo que o plano chama de exemplo, e o candidato teve o indiciamento pedido pela CPI, por incitação ao crime.

premissas Depoimento da Pfizer à CPI da Covid; dados do Ministério da Saúde.
// 06 — concentração de poder

Uma democracia divide o poder em três — para que um segure a mão do outro. Esse freio é o que impede qualquer governo de fazer o que quiser com a sua vida. É por isso que concentrar os três é o risco de fundo por trás de tudo o que você leu até aqui.

01 Os três poderes, e o que cada um protege de você

poder executivo

O governo

Propõe e executa: ministérios, polícia, orçamento. Manda no dia a dia.

protege você: Quem você elege para tocar o país.
poder legislativo

O Congresso

Faz as leis, controla o dinheiro público e pode investigar e barrar abusos.

protege você: É quem pode dizer NÃO a uma lei que tira o seu direito.
poder judiciário

A Justiça

Julga, defende a Constituição e pode anular um ato ilegal do governo.

protege você: É para onde você corre quando é passado para trás.
pensa assim

Imagine, no trabalho, se a mesma pessoa fosse o seu patrão, o RH que ouve a sua reclamação e o juiz que decide a briga. Você reclamaria com quem? Não teria para onde apelar.

Um país em que um só grupo controla os três poderes é exatamente isso: é como um jogo em que o mesmo time joga, apita e ainda é dono do placar.

[ projeção — o risco ]

Se um único projeto de poder dominar o Executivo, tiver maioria no Congresso e indicar quem julga na Justiça, não sobra quem barre. Leis que tiram direitos passam sem freio. Abusos não são investigados. E a sua reclamação não chega a lugar nenhum. A eleição pode até continuar existindo no papel — só que esvaziada.

02 Já aconteceu — e sempre começou pelo Congresso e pela Justiça

Alemanha1933
53 dias
da posse de Hitler à lei que esvaziou o Parlamento
O que aconteceu
Com a Lei de Plenos Poderes (março de 1933), o governo passou a criar leis sem o Parlamento — até contra a Constituição. Depois, estados, Justiça e sindicatos foram postos sob o partido único (a “coordenação”, Gleichschaltung).
Como o país ficou
Sem oposição e sem freio. Os sindicatos foram extintos e trocados por um órgão do próprio governo. A democracia não caiu por um tiro — caiu no papel.
Venezuela2017
1 canetada
o tribunal tomou para si os poderes do Congresso eleito
O que aconteceu
Com a Justiça já aparelhada por aliados, o Tribunal Supremo retirou os poderes da Assembleia Nacional — eleita pela oposição — e ficou com eles. Até a OEA chamou de “autogolpe”.
Como o país ficou
Sob pressão, recuou em poucos dias — mas o caminho da concentração seguiu. É a mesma Venezuela que a direita sempre apontou como o exemplo do que não se pode virar.
por que isso é pior para quem trabalha

Esquerda ou direita, o perigo é o mesmo: quando um grupo controla os três poderes, quem perde é sempre quem vive do próprio trabalho. Porque somem justamente as instituições que seguram a mão de quem está no poder — e é nelas que você se apoia quando mexem no seu FGTS, na sua aposentadoria ou no seu direito de reclamar.

O seu voto é um desses freios. Talvez o último.

para ser justoEsta página não afirma que isso vai acontecer, nem que haverá golpe. O que ela mostra é como a concentração de poder funciona e para onde ela levou outros países. O freio contra isso são as instituições independentes — e o seu voto.
// 07 — antes de votar

Se você ainda está em dúvida

TESE

"Político é tudo igual. Não muda nada pra mim."

É uma dúvida justa, e esta página não pede que você goste de ninguém. O outro lado também tem defeitos, e você tem todo o direito de criticá-los.

ANTÍTESE

Mas este plano muda, sim. E está escrito.

FGTS menor para o jovem no primeiro emprego. Adolescente de 14 anos em presídio de adulto. Licença ambiental aprovada sem ninguém olhar. Dinheiro da escola pública virando voucher. Não é boato nem interpretação: está no plano de governo dele, com número de página, e a conta chega na sua casa.

SÍNTESE

Votar contra isso é escolher quem pode barrar. Anular ou faltar é deixar passar.

Seu voto é a única ferramenta que trava esse plano. Ler o que ele escreveu, fazer a conta e aparecer no dia é o que decide — o resto é torcida. Quem trabalha contra o seu descanso, o FGTS dos seus filhos e a memória dos 715 mil mortos conta com a sua ausência.

// 07 — o que fazer com a sua revolta

Eles contam com o seu cansaço, com o seu "tanto faz" e com o seu silêncio. A resposta não é violência nem desistir: é a urna. Vote contra quem já mostrou que vota contra você.

Flávio Bolsonaro (PL). Não pelo nome: pelo que está escrito no plano dele.Foto: Senado Federal (30/04/2026), CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons. Carimbo adicionado por esta página.
  1. 01

    Confira seu título e seu local de votação

    Leva dois minutos no app e-Título ou no site do TSE. Não deixe para o dia.

    tse.jus.br ↗
  2. 02

    Leve mais três pessoas

    A mãe, o colega de trabalho, o vizinho que disse que não vai votar. Uma conversa com fonte na mão vale mais que mil posts.

  3. 03

    Compartilhe com a fonte junto

    Mande o fato com o link. Quem espalha mentira conta com a sua pressa. Quem tem fonte não precisa gritar.

Não por um partido. Por você, pelos seus filhos e pelos 715 mil que não podem mais votar.